quarta-feira, 13 de abril de 2011

A informação no rádio

Ontem o professor propôs uma atividade prática aos alunos: redigir ou uma reportagem para rádio, ou um boletim, ou um flash, ou uma edição extraordinária _ pra ser entregue na próxima aula. Além dessas, existem outras formas de classificar as transmissões informativas.

Mas, afinal, o que significa cada um desses conceitos?

Seguindo a ordem da autora Gisela Ortriwano, vamos começar pelo flash.

Flash
O flash ‘é um acontecimento importante que deve ser divulgado imediatamente em função de sua oportunidade. Esse tipo de entrada, por definição, se dá ao vivo’. Para um flash bem feito, o repórter precisa indicar marcas de tempo e espaço. Por exemplo: aqui, neste momento acontece, há pouco, hoje, amanhã.... Tanto melhor será o flash, quanto mais o repórter se aproveitar do imediatismo do rádio.

Edição extraordinária
Segundo Gisela, a ‘edição extraordinária também se refere a acontecimentos importantes, cuja divulgação é oportuna, interrompendo qualquer programa’ _ a notícia não pode esperar o próximo horário. É este o ponto mais importante do chamado breaking news. Na edição extraordinária a informação dada costuma ser preliminar, o repórter ainda não tem muitas informações. É a mesma lógica usada pela agência de notícias: o jornalista divulga a informação mais importante primeiro e vai apurando.

No livro Jornalismo de Rádio, Milton Jung, apresentador do jornal da CBN, dá um ótimo exemplo do que é uma edição extraordinária (ou plantão).

São 9 horas e 56 minutos.Um avião bateu nas torres do World Trade Center, há poucos instantes, em Nova York. O prédio está pegando fogo. De acordo com informações de uma testemunha ocular, teria sido um Boeing 737, mas esta informação ainda não foi, oficialmente, confirmada. Daqui a pouco, traremos outras informações sobre este acidente: um avião bate em uma das torres do World Trade Center, em Nova York.

Boletim
O boletim, também chamado de síntese noticiosa, é um ‘noticiário apresentado com horário e duração determinados, com característica musical de abertura e encerramento, texto elaborado e montagem dos assuntos a serem tratados, que podem abranger tanto o noticiário local como nacional e internacional.’ Nada melhor que um exemplo pra gente entender melhor o que é:


Existem outras formas de classificar as transmissões informativas, segundo Gisela:
Especial: programa que analisa um determinado assunto, seja por sua grande importância e atualidade, seja por seu interesse histórico. Pressupõe pesquisa aprofundada sobre o tema.
Jornal (alguns chamam de radiojornal): é o tradicional ‘jornal falado’ das emissoras, que tem por função cobrir o último período informativo entre uma emissão da espécie e outra.
Informativo especial: informações sobre fatos de um mesmo campo de atividade, em que apenas interessam as notícias referentes àquele setor. O caso mais comum é o dos noticiários esportivos.

domingo, 10 de abril de 2011

Orientações gerais para um repórter

Ano passado eu fiz um guia com dicas pra repórteres iniciantes, estudantes de radiojornalismo como eu -inclusive esse trabalho deu origem a este blog.

 Agora eu vou destacar umas orientações gerais, pra gente não se perder quando sai em busca de resposta pra nossa pauta.

Orientações para um repórter
1) Antes de sair para o cumprimento de uma pauta, o repórter precisa testar o gravador. Sempre levando pilhas adicionais.
2) O repórter não pode confiar apenas em sua memória, deve anotar o que vê e ouve.
3) Um bom repórter tem grande capacidade de observação, habilidade de comunicação, sensibilidade, criatividade e uma sólida formação intelectual.
4) O repórter precisa saber o que quer contar para o ouvinte. Assim, deve saber se precisa, por exemplo, apresentar números, encontrar personagens, apresentar uma perspectiva histórica ou levantar diferentes pontos de vista sobre o assunto
5) Nem sempre será preciso utilizar números para comprovar a tese. O jornalista pode partir de algo específico, mais restrito, que pode representar bem o que se procura comprovar. Muitas vezes, mais vale um bom caso específico que uma pesquisa oficial. 
6) O jornalista precisa estudar suas fontes antes da entrevista, saber com o que cada um pode contribuir para a matéria. 
7) As perguntas devem ser abertas (Por quê? Como? O quê?). Assim, a sonora que você gravar terá começo, meio e fim - o raciocínio completo do entrevistado. Perguntas fechadas geram respostas lacônicas, não raro limitadas a "sim" ou "não", o que dificulta a edição.
8) O repórter deve saber o que perguntar a cada fonte, deve pesquisar seu entrevistado para não cair no óbvio durante a entrevista e torná-la mais produtiva.
9) Confira os nomes próprios, peça ao entrevistado que soletre e informe-se sobre a forma correta de pronunciar o nome.
10) O repórter deve sempre preparar antecipadamente as perguntas que irá fazer, e elas devem ser claras, diretas e curtas.
11) O bom repórter não se limita ao roteiro original. As respostas devem suscitar novas perguntas, e o repórter precisa estar atento para pedir que o entrevistado esclareça dúvidas, dê exemplos ou explique melhor suas declarações. Caso ele fuja da pergunta, o repórter deve refazê-la. E se ele se ofender, não adianta bater boca. Basta fazer uma nova pergunta.
12) Permita que o entrevistado conclua o raciocínio sem interrompê-lo com interjeições, elas atrapalham na edição da entrevista.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dicas de português: os usos da vírgula.

O professor Dílson Catarino escreveu um artigo especial para o Fovest Online desvendando um dos maiores mistérios da língua portuguesa: o uso da vírgula.

Esse é um dos maiores problemas dos escritores em geral, sejam jornalistas, estudantes, professores, ou seja, qualquer cidadão, ao escrever um texto, depara com a dúvida: devo ou não pôr vírgula em tal parte do texto?


Ah, não é só o repórter do impresso que precisa saber usar bem essa pontuação. O de rádio também precisa! Não é só porque o texto do radiojornalista não vai ser lido pelo público que ele pode se dar ao luxo de cometer certos erros.

A boa pontuação concorre para a boa locução, principalmente nos casos em que um texto é redigido por um profissional e lido por outro.


#ficadica

terça-feira, 5 de abril de 2011

Repórteres do Grupo Folha são demitidos por uso indevido do Twitter

Na última quarta-feira, após o anúncio da morte do ex-vice-presidente José Alencar, dois repórteres do Grupo Folha travaram um diálogo no Twitter que lhes custaram o emprego:

Repórter do Agora SP, Carol Rocha (@CarolinaRocha)

Editor-assistente de política da Folha, Alec Duarte (@alecduarte)


(O erro gravíssimo a que se refere Alec Duarte é a publicação da morte do ex-senador Romeu Tuma, que embora estivesse hospitalizado ainda não tinha morrido.)

Além de revelar o que todo mundo já sabia, mas ninguém gosta de falar _que há obituários prontos na redação muito antes da morte da personalidade_ a conversa levantou outra discussão.

Os perfis dos jornalistas nas redes sociais, como o Twitter ou Facebook, podem ser consideradas apenas pessoais? Eles podem publicar em suas contas o que quiserem?

Para a Ombudsman da Folha de S. Paulo, Suzana Singer, não: 
"Jornalista não pode declarar voto político, xingar artistas, amaldiçoar o time de futebol rival, bater boca com leitores, expressar preconceito nem tentar obter vantagem pessoal. É muito limitante, mas o repórter precisa considerar que amanhã poderá ser cobrado por uma opinião 'inocente'", comentou a ombudsman em sua coluna nesse domingo. Singer ainda completou: "O repórter é seguido, curtido, recomendado, também como um representante do lugar em que trabalha".

A chefia de reportagem da Folha já havia comunicado, em 2009, que os repórteres do jornal deveriam seguir o projeto editorial também em seus perfis sociais. Isso significa que não devem ser revelados na rede os bastidores da redação, os offs, as reportagens exclusivas em apuração, as fontes... Outros veículos chegaram a proibir o uso do Twitter, para evitar constrangimentos.

Veja aqui alguns tuítes que derrubaram jornalistas.

Em contrapartida, restringir o uso das redes sociais aos repórteres significa censura à liberdade de expressão?

A jornalista demitida Carol Rocha pensa que sim:
"Um jornal que zela tanto pela liberdade de expressão, que diz não admitir qualquer tipo de censura, praticar a mesma censura contra seus funcionários é hipocrisia. Me lembro que o manual de redação diz alguma coisa como 'somos abertos a críticas'. Sério? Não conheço ninguém que tenha criticado a Folha e não tenha sofrido represália", publicou a jornalista em seu blog pessoal.

Mas, e você, o que acha? É legítimo a orientação por parte das chefia ou o repórter do veículo pode usar como bem entender o seu perfil na rede social?