segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lições iniciais de uma caça às pautas

(Via Novo em Folha)

Se a gente não está lendo jornal direito, é muito difícil propor uma pauta, porque não se sabe se é novidade ou se já saiu no jornal.

Pautas ancoradas em um fato recente sempre têm gancho (já que partem justamente da notícia, que passa a ser o gancho). Um exemplo: se eu propuser fazer uma lista das creches públicas em SP, ninguém vai entender por quê. Já se a idéia for listar as piscinas públicas boas, todo mundo vai saber que é por causa desse calorzinho bom que está fazendo na cidade. Isso é ter gancho.

Muita boa idéia que a gente tem é ainda uma pré-pauta. Pode até virar pauta, está no bom caminho, mas ainda exige uma pré-apuração. Por exemplo, temos a idéia de mostrar como está a briga para suceder a AIG como patrocinadora do Manchester, mas ainda é preciso saber se há mesmo uma briga.

Matérias de serviço derivadas de fato quente quase sempre emplacam como pauta, porque têm gancho e não precisam ver hipóteses comprovadas notas curtas podem render mais pauta que grandes matérias --porque ali costuma haver histórias malcontadas ou ainda não contadas dar idéias sem ter medo e palpitar livremente na idéia dos outros é sempre um bom caminho pra encontrar pautas (o velho e bom brainstorm, mas tem que ter liberdade mesmo. Se o chefe acha defeito em qualquer coisinha que a gente fala, é chato e inútil).

sábado, 2 de julho de 2011

7° Concurso Universitário do Jornalismo da CNN encerra inscrições dia 6 de julho



A sétima edição do Concurso Universitário do Jornalismo da CNN já está recebendo as inscrições dos trabalhos feitos por estudantes. Com o apoio do Canal Futura e apresentação de Guillermo Arduino, apresentador do programa World Report, o prêmio deste ano tem como pauta a "Energia Renovável".

Para participar, os interessados devem ser estudantes regularmente matriculados no curso de jornalismo. As inscrições deverão ser feitas pelo site www.concursocnn.com.br até o dia 6 de julho. As matérias em vídeo seguindo o tema deste ano poderão ter no máximo dois minutos cada e precisam ser inseridas na conta pessoal do participante nos sites YouTube ou Vimeo e a URL do vídeo público (e com a senha, no caso do vídeo protegido do site Vimeo) deverá ser inserida no campo correspondente de cada ficha de inscrição.

Serão selecionadas três matérias finalistas, que deverão ser enviadas em qualidade de melhor definição (mini-DV ou DVD) para a comissão organizadora, mediante comunicação prévia pela Turner International do Brasil e divulgada no site oficial. Como premiação, o vencedor terá seu trabalho exibido durante a programação da CNN International, além de ganhar uma viagem de três dias para conhecer a sede dos estúdios da CNN, em Atlanta, nos Estados Unidos, junto com seu professor orientador.

A instituição de jornalismo que tiver o maior número de trabalhos enviados e confirmados como válidos receberá um "kit reportagem" com 2 câmeras filmadoras Canon Vixia Hf S11 64gb, 2 rebatedores 5 Em 1 110cm, 2 microfones Shure com cabo, 1 tripé Weifeng e 2 fones de ouvido. Além disso, os professores-orientadores dos autores das três melhores matérias receberão uma placa de menção honrosa como reconhecimento pelo trabalho. O júri que avaliará os trabalhos é formado por renomados jornalistas brasileiros como Marcelo Tas (jornalista/apresentador Band), Sônia Bridi (jornalista/repórter Globo), André Trigueiro (jornalista Globo News/ Blog "Mundo Sustentável"), e Lúcia Araujo (gerente-geral do Canal Futura), além de âncoras da CNN International.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Twitter e a barriga jornalística

Via Desilusões Perdidas

Barriga não é apenas a saliência arredondada (e ridícula) cultivada por muitos jornalistas que comem e bebem demais. Barriga é a informação falsa divulgada como verdadeira por jornalistas que não têm o cuidado de checar o que lêem ou escutam por aí. Engolem qualquer abobrinha pelo furo imediato. Um caso recente é o da Jovem Pan e a corrida de cadeiras de roda de Hebe Camargo no hospital, fato extraído de um perfil fake da apresentadora no Twitter.

É claro que a barriga jornalística existe desde o surgimento da imprensa, quando Hebe Camargo ainda promovia corrida de carrinhos de bebê na maternidade. Mas tal mancada tende a aumentar com o uso das mídias sociais como fonte de informação. Por isso, criei uma lista de frases do Twitter, de perfis falsos, que não podem ser usadas em uma matéria. Certas declarações jamais seriam dadas pelos famosos abaixo. O negócio é manter o desconfiômetro ligado.

“Admito que a cidade de São Paulo não está preparada para enfrentar as enchentes.”
Twitter do Gilberto Kassab

“Não sei o que seria da limpeza das ruas do meu bairro sem o nobre trabalho dos garis.”
Twitter do Boris Casoy

“Considero o Lula o melhor presidente que o Brasil já teve.”
Twitter do Diogo Mainardi

“Nunca comi pilhas no jantar, pois, à noite, elas são muito indigestas.”
Twitter do Rafael Ilha

“Estou muito feliz. No treino de hoje, com a nova Williams, cheguei na frente de meu companheiro de equipe.”
Twitter do Rubens Barrichello

“Desde que comecei a tomar aquele comprimidinho azul, as mulheres dizem que pareço um jovem de 18 anos.”
Twitter do Oscar Niemeyer

“Já tive mulheres de todas as cores. De várias idades, de muitos amores.”
Twitter do Richarlyson

domingo, 19 de junho de 2011

Offismo: um dos sete pecados do jornalista

Eu já comentei aqui qual é a diferença entre off-the-record e not for atribution, mas queria acrescentar algumas coisas. Lendo 'Sobre Ética e Imprensa', do Eugênio Bucci, ele classifica o "offismo" como um dos sete pecados do jornalista. Eis o por quê:

"Offismo. O off é um termo que faz parte do jargão das redações. Tem origem na expressão inglesa off the record, que designa aquilo que se diz a um jornalista 'confidencialmente', isto é, algo que se diz para não ser registrado. Há aqui uma variante sutil que merece nota. O que a fonte declara em off, rigorosamente, é algo que não deve ser publicado nem mesmo quando ela, fonte, não é mencionada na reportagem. 

Diferente disso é aquilo que a fonte declara para publicação, pedindo no entanto sigilo sobre sua identidade. No Brasil, a 'declaração em off' admite os dois significados. Em seu uso mais corrente, a expressão se refere à informação que poderá ser publicada desde que não se identifique a fonte. 

Entre nós, é verdade, o uso do off tornou-se rotina e se transformou em abuso. Com frequencia o leitor, o telespectador, ou o ouvinte não fica sabendo da origem da informação. Ele só é avisado de que 'uma alta autoridade do Ministério tal' ou 'um professor que prefere não se identificar' ou ainda 'uma fonte qualificada' disse isso ou aquilo. 

Outros recursos para o mesmo procedimento são os cacoetes de texto do tipo 'comenta-se', 'garante-se' etc. Muito comum nas colunas de notas de informação política, econômica, e de interesse geral, esse modo de informar, salvo exceções, é também um modo de desinformar. Afinal: quem diz? quem garante? quem comenta? Não se faz bom jornalismo com declarações anônimas."